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Colaboradora do CBPF pesquisa cashmere de lã de cabras brasileiras

  • Publicado: Quinta, 21 de Fevereiro de 2019, 13h54
  • Última atualização em Quinta, 21 de Fevereiro de 2019, 14h07
  • Acessos: 2450

Uma fibra de alta qualidade produzida de forma a atender a objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas. Assim é a cashmere brasileira, descoberta pela zootecnista Lia Coelho.

Desde 2012, Lia atua na pesquisa da fibra e no desenvolvimento de toda sua cadeia de produção, estando à frente do Projeto Cashmere Brasileira. Doutora pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ela colaboradora, na área de microscopia eletrônica avançada, com o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro.

A convite do Núcleo de Comunicação Social do CBPF, a pesquisadora e empreendedora escreve sobre seu trabalho com a nova fibra.

 

A CASHMERE BRASILEIRA

Em 2012, descobri a existência de uma fibra fina produzida por diversas raças de caprinos criados no Brasil. Esse material ficou conhecido como cashmere brasileira, pois tem as mesmas características morfológicas da fibra de cashmere conhecida no mundo, mas com diferenciais importantes em relação à qualidade: é mais fina e mais confortável que aquela atualmente no mercado. 

Usada para a produção de roupas de alto luxo, a cashmere é hoje considerada a ‘queridinha’ de grandes marcas internacionais, como Chanel, Dior, Gucci, Versace, Valentino, Dolce & Gabbana, Brunello Cucinelli e Brunello Cucinelli. A descoberta de uma fibra desse tipo no Brasil abre novas perspectivas para a produção, no país, de roupas para a moda mundial.

Venho desenvolvendo a cadeia inicial de produção da cashmere brasileira junto aos caprinocultores, bem como sua cadeia têxtil desde de 2014, como desdobramento de meu mestrado, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Além disso, atuo no desenvolvimento de patentes e artigos ‒ já são cinco patentes e outras seis propriedades relacionada à produção.

 

Em Minas Gerais, coletando fibras de cashmere em cabra da raça Boer

(Crédito: Arquivo pessoal)

 

Apoio e formação

A pesquisa com a cashmere brasileira teve apoio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT); do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Cetiqt); e da empresa Incofios, em Santa Catarina.

Além disso, em meu doutorado (também na UFRRJ) e à frente do Projeto Cashmere Brasileira, tive o apoio não só do CBPF ‒ onde sou pesquisadora colaboradora na área de microscopia eletrônica avançada e biomateriais, sob a supervisão do pesquisador André Linhares Rossi ‒-, mas também da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Universidade Estadual Paulista (campus Araraquara) e do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI), da Argentina.

 

No CBPF, analisando fibra de cashmere brasileira ao microscópio eletrônico de varredura

(Crédito: Arquivo pessoal)

 

Pesquisadores dessas instituições foram responsáveis por minha formação e o sucesso do projeto. Em 2016, na Polônia, apresentei o trabalho que venho desenvolvendo com a cashmere brasileira na 90a TIWC, a maior conferência mundial da área têxtil. Naquele mesmo ano, publiquei o primeiro capítulo de livro sobre o tema. No ano seguinte, fui a outro importante encontro internacional sobre o tema: a ICNF, em Portugal, onde apresentei dois trabalhos.

 

Produtores e investidores

A descoberta da cashmere brasileira é também importante do ponto de vista da sustentabilidade, pois o projeto para seu desenvolvimento atende a oito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas.

No Brasil, o nordeste brasileiro concentra 95% de todas as criações de caprinos. O aproveitamento da fibra pode promover o desenvolvimento local das famílias e o aumento de renda do produtor, contribuindo para diminuir a desigualdade econômica regional.

 

Com o primeiro protótipo de tecido 100% cashmere brasileira no Senai

(Crédito: Arquivo pessoal)

 

Em 30 de outubro do ano passado, foi instituído, na Paraíba, o Programa Paraibano de Produção e Comercialização de Pelos Finos de Caprinos, para destacar o estado no cenário do agronegócio brasileiro. O projeto vem fomentando a inovação tanto na caprinocultura quanto na indústria têxtil brasileira, abrindo novas oportunidades de negócios.

O esforço de toda a pesquisa e mobilização em torno da cashmere brasileira tem como objetivos principais assegurar tanto um padrão de produção de qualidade quanto o crescimento econômico sustentado em médio e longo prazo dessa fibra no Brasil.

Atualmente, venho mobilizando mais produtores para a coleta da cashmere brasileira e estou em busca de investidores para a promoção da cadeia de produção no Brasil.

 

Lia Coelho

Pesquisadora colaboradora

CBPF

Empreendedora

 

Mais informações:

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/liacoelho-pesquisadora/?originalSubdomain=br

YouTube: https://youtu.be/IHt-Xr2LX8c

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