Mapa da matéria escura 2.0: novos resultados do DES e a cosmologia

COLÓQUIOS DO CBPF

Mapa da matéria escura 2.0: novos resultados do DES e a cosmologia

 

Martín Makler

Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

 

Local: Auditório Ministro João Alberto Lins de Barros, no CBPF, à rua Dr. Xavier Sigaud, 150, Urca, Rio de Janeiro (RJ).

Dia:  22 de agosto de 2017 (terça-feira).

Horário: 16h

Entrada gratuita. Não servidores devem apresentar documento de identificação.

 

RESUMO

Uma das formas mais diretas -- porém, mais complicadas -- de se obterem informações sobre a estrutura do universo em grandes escalas é por meio do efeito de lente gravitacional: pequenas distorções na trajetória da luz causadas pela matéria e que produzem leves deformações na forma de galáxias distantes.

Nos últimos anos, diversos resultados usando lentes gravitacionais foram obtidos por projetos de imageamento, cobrindo áreas da ordem de centenas de graus quadrados. Entre eles, está o o CFHT Stripe 82 Survey, que contou com forte participação do CBPF. Agora, acabam de ser publicados os primeiros resultados de um ano de observações do Dark Energy Survey (DES), cobrindo uma área na escala de 1500 graus quadrados e gerando mapas sem precedentes do efeito de lentes.

Combinando os dados do DES, obtêm-se restrições no modelo cosmológico no mesmo nível dos obtidos – e os mais precisos até agora – com a sonda Planck, a qual usou a radiação cósmica de fundo. Um dos resultados mais impactantes é a medida da chamada equação de estado da energia escura (w), cujo valor para a constante cosmológica é -1.

Surpreendentemente -- ou, talvez, sem muita surpresa --, o resultado do DES, combinado com outros projetos, fornece w = -1.00 +0.04-0.05. Muito mais importante que o valor preciso de w, os dados do DES são complementares e independentes de outros conjuntos de dados e são totalmente consistentes com eles, desfavorecendo grandes desvios em relação à relatividade geral nas escalas observadas.

Um aspecto crucial das análises do DES é o uso 'análises cegas', mecanismo que evita introduzir vieses a partir de uma expectativa sobe os resultados (confirmation bias). Como resultado, temos as medidas mais precisas e também mais acuradas até hoje, usando lentes gravitacionais para a cosmologia.

 

BREVE CV

Tem graduação em física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996) e doutorado em física pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (2001). Atualmente, é pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Tem experiência nas áreas de astronomia e física, com ênfase em cosmologia, atuando principalmente nos seguintes temas: lentes gravitacionais, aglomerados de galáxias, energia e matéria escuras, quartessência, formação de estruturas em grandes escalas e processamento de imagens de CCD.

Coordena o SOAR Gravitational Arc Survey e a participação brasileira no CFHT Stripe 82 Sruvey e VISTA-CFHT Stripe 82 Survey. Foi proponente da participação brasileira na colaboração internacional Dark Energy Survey e 'builder' desse projeto. É membro do Coherent Neutrino-Nucleus Interaction Experiment. Também tem forte atuação na área de divulgação e popularização científica.